A internet encontra-se, atualmente, em sua segunda geração, que é admitida como 2.0, termo cunhado pela empresa americana O’Reilly Media. É designada desta forma, por apresentar grandes diferenças de seu início. A principal e mais forte diferenciação da web do passado para com a atual consiste no conceito de uma internet colaborativa, onde o usuário deixa de ser um elemento passivo em sua navegação e passa a agir também como autor e colaborador desta plataforma, expressando suas opiniões, questionamentos e análises.
A configuração de colaboração, antes presente somente em fóruns e listas de discussão na internet, agora existe e é utilizada com grande freqüência e intensidade. São exemplos destas as redes sociais e as wikis, locais onde qualquer usuário pode divulgar suas percepções e entendimentos sobre infinitos temas, de diferentes formas por meio de textos digitais (conhecidos por hipertextos, atualmente).
Neste contexto de constante renovação e, ao mesmo tempo, constante saturação das informações, está inserida a imagem, que é elemento básico e essencial para a manutenção de qualquer elemento da internet. Sem imagens a web não é atrativa. Sem imagens, a web não convida o usuário para interagir e compartilhar.
Segundo Flusser (2002, p. 9), as “Imagens são mediações entre homem e mundo. [ . . . ] Imagens têm o propósito de representar o mundo.” Por entrar em contato com imagens desde crianças, os indivíduos já as consideram parte de seu cotidiano, assim como sua associação automática à realidade, ao mundo. Flusser afirma, também, que a obsessão pelas imagens é cada vez mais freqüente, onde o homem passa a experimentar o mundo como um conjunto de imagens e não o contrário. O autor chama essa ação de idolatria, ou seja, uma ficção nociva do ser humano pelas imagens, como se a realidade as refletisse.
Imagens, no entanto, se formam no interior dos seres humanos, em um processo mental, para servirem de instrumento. Nesta concepção, a alienação do homem em função das imagens, perde o sentido. Há quem diga que se trata de um processo de digestão, similar ao que o organismo executa com os alimentos. Assim como os indivíduos identificam o que comem e mais tarde seus corpos fazem a digestão, as imagens chegam às pessoas como informações e, com alguma reflexão, já são capazes de transformá-las em conhecimento, em instrumentos.
E como devem ser aplicados e explorados estes instrumentos na internet? Como deve o homem usufruir destes meios para a otimização desse ambiente colaborativo? Sejam elas dinâmicas ou técnicas, abstratas ou explícitas, o fundamento da web atual é que disponha de imagens atrativas.
2.1 A Web Atrativa
Características bastante similares aproximam as imagens do ambiente hipertextual. Fundamentalmente, a ausência de linearidade em ambos beneficia essa associação. A ausência de linearidade, nesta situação, é percebida na internet pela grande quantidade de relações que são estabelecidas, tanto por usuários, quanto por criadores.
A partir do momento em que são criados links e páginas de acesso a outras, os hipertextos se tornam uma grande teia de informação, que perde a configuração da informação em suporte papel, que tem início, desenvolvimento e conclusões. Hipertextos se tornam uma nova forma de leitura, não-linear e associativa, onde o leitor deixa de ser passivo e interage com a página e com outros leitores.
Já Tenório (1998, p. 127), fundamenta a não-linearidade das imagens, justificando que “a imagem não é sintática, mas paratáxica, ou seja, apresenta seus elementos em um mesmo plano”. A imagem é simbólica, não carrega seu significado de forma explícita, por isso a não-linearidade.
Tom Ang (2004, p. 360), em seu Manual de Fotografia Digital, explica que um criador de imagens para a web deve ter como objetivo “[ . . . ] produzir material com vida, dinâmico e interessante, como forma de atrair mais visitantes.” Também pode-se perceber, a partir dessa afirmação, que os instintos infantis da necessidade de muitas cores e grandes gravuras, apesar de modificados, ainda existem na vida adulta e se mostram intensos quando despertados em páginas interessantes da internet.
2.2 Imagens Técnicas
Imagens técnicas são a materialização dos conceitos dos indivíduos. Ang as define como produtos indiretos de textos, por serem originárias da realidade, depois abstraídas para a transformação em texto e, finalmente, reconstituídas em imagens como sínteses daquilo que foi construído de forma textual.
A primeira imagem técnica registrada foi a fotografia. Esta é considerada a primeira reprodução da realidade sem as mãos do homem, seu modelo mais transparente. Talvez por essa identificação explícita com as fotografias é que a imagem técnica seja digna de muita confiança das pessoas. Ang explica a relação de fidelidade do observador com a fotografia da seguinte forma:
O caráter aparentemente não-simbólico, objetivo, das imagens técnicas faz com que seu observador as olhe como se fossem janelas, e não imagens. O observador confia nas imagens técnicas tanto quanto confia em seus próprios olhos. Quando critica as imagens técnicas (se é que as critica), não o faz enquanto imagens, mas enquanto visões do mundo.
O principal papel das imagens técnicas é o de afastar a sociedade do pensamento conceitual. Aproximar as pessoas do caráter mágico das imagens se mostrou fundamental. Além disso, o surgimento de uma consciência mágica está intimamente ligado ao universo digital. A partir do momento em que passou a ser possível uma conversa com alguém que se encontra a quilômetros de distância, sem o intermédio de um telefone, se tornou necessária uma imaginação maior e disposta a se adaptar a estas novidades tecnológicas.
O cinema foi considerado o segundo tipo de imagem técnica. Trata-se da materialização de metáforas e de conceitos dos interesses de quem os produz. Com a idéia de cinema e suas imagens seqüenciais, é mais simples o entendimento de que a imagem técnica é um conjunto de conceitos relativos ao mundo, e não o mundo. Por mais que aquilo exibido nas telas seja o retrato da realidade, não se trata da realidade sendo vivenciada.
É também importante ressaltar que imagens técnicas são produzidas por aparelhos, não pelo próprio ser humano. Sejam produzidas por câmeras fotográficas, filmadoras ou através da digitalização de uma imagem em um scanner, todas elas são resultado da união da ação do homem e da máquina.
Mais tarde, aparece a televisão como uma imagem técnica que, entretanto, perde o seu corpo e se transforma em sinal elétrico. É a evolução da imagem, é adição de mágica ao olhar do ser humano.
2.3 A Folksonomia e as Imagens
Folksonomias são sistemas de classificação estabelecidos pelos usuários da internet, através de palavras-chave. Das palavras originárias folk (povo), taxis (classificação) e nomos (gerenciamento), surge essa nova concepção para a categorização colaborativa de páginas na internet.
A aplicação de folksonomias às imagens se inicia quando, ao reunir fotografias em páginas da web, os usuários identificam a necessidade de classificá-las, organiza-las de alguma forma. A maneira que surge, mais simples e ágil, é a utilização de tags, que são as palavras-chave, são “etiquetas” adicionadas às imagens.
Sua principal debilidade é a falta de precisão, já que não há controle sobre as palavras que são adicionadas. Não há domínio sobre a utilização de gêneros, sinônimos, plurais e singulares na folksonomia. No entanto, apesar de pouco precisas, as tags organizadas por folksonomia se mostram bastante úteis na organização de imagens na web. Em blogs e bancos de imagens digitais são bastante aproveitadas e facilitam muito as buscas dos usuários.
Muitos endereços da internet utilizam o que é chamado de tag cloud (em uma tradução literal, seria nuvem de tags). São reuniões de todas as tags já utilizadas naquela página, para que o usuário possa buscar o que interessa diretamente pelo assunto.

